Pogorzelski & Associados - Advocacia Empresarial

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Ao longo de nossas vidas acumulamos experiências em larga escala de diversidade que implicam em maior ou menor grau de importância na modulação futura do nosso comportamento.
Essa flutuação de significância é facilmente identificável em algumas situações, a exemplo da comparação entre um quadro familiar favorecido pela amabilidade de um pai com seu filho e o comprometimento com a educação em valores, com outro em que inexiste qualquer afeto desse gênero. No primeiro caso a tendência é a de formação de um jovem seguro de sua importância no seio familiar, do qual extrairá os valores advindos desse ambiente confortável a sua principal referência comportamental. Aliás, não é outra a razão pela qual às vezes nos perguntam de que família nós somos.
Em outras situações a nossa participação nas vidas dos outros, ou vice-versa, nos parece se constituir em experiências desmerecedoras de qualquer alento ou significância, e assim dizemos que ninguém tem nada a ver com nossa vida ou que pouco nos importamos com o que pensam a nosso respeito. Porém, mais a fundo, na maioria dos casos não é bem assim.
Muitas vezes um sim ou um não, singelas respostas, e até mesmo tratamentos gentis e delicados, que achamos não reflitam nada mais do que o nosso dever com os outros e deles para conosco, viajam pela história das nossas perdas e dos nossos ganhos. Trazem consigo uma carga subjacente de influência no cérebro humano muito maior do que imaginamos, dada a sua penetrabilidade nos lugares secretos do intelecto. São ações que tecem e modelam conflitos ou satisfações alojados em nosso inconsciente dos quais certamente desconhecemos, através do senso comum, suas origens.
Em razão dessa dinâmica, vão naturalmente criando mecanismos que ora são de proteção, como o descrédito e a desconfiança, ora de ampla insuspeição e até mesmo de motivação. Fazendo uma analogia, seria dizer que se a vida humana fosse retratada como um texto, essas ações, que supomos sejam de pouca importância, figurariam como rodapé da nossa história existencial.
De qualquer modo, identificáveis facilmente ou não as consequências das nossas ações, fato é que quase invariavelmente elas vão se incorporando nas experiências existenciais dos nossos pares, assumindo vezes uma dimensão de maior relevo, outras de menor significância. Gravitam na órbita de uma responsabilidade maior do que a que pensamos ter, sobretudo quando criam raízes nos recônditos pouco acessíveis da psique alheia.
É assim que, cônscios dessa nossa responsabilidade, várias são as recomendações de que façamos cortes temporais em nosso desordenado cotidiano para incluir reflexões sobre nossas ações e afeiçoá-las a um modelo tal que todo o pouco de nós nos outros, ainda que não saibamos sua exata dimensão, repercuta em construções positivas. É verdade que não somos educados para tanto, porém o que se tem visto no ambiente social nos oferece uma rica sintomatologia dessa necessidade.


Júlio Pogorzelski
Mestre em Direito e Especialista em Psicologia da Educação.
Artigo publicado no Jornal de Gramado, edição de 24/05/2013.

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